Overated. Esta foi a descrição de Lucas Patrício sobre a avaliação de Mega Man 9. “Idéia maluca”, “serviço porco da Capcom”, “até um fã pode fazer isso” e “Capcom preguiçosa” foram outros termos empregados pelo nosso amigo jornalista-blogueiro e gamer nas horas vagas. Como não é segredo para ninguém, Megaman 9 faz uma retomada ao estilo de jogo de outrora, com gráficos, jogabilidade, sons e desafios oitentistas. O “problema” é que, em meio a polígonos e texturas em alta definição, o jogo em questão destoa dos padrões atuais. Tal característica entusiasmou vários e desagradou a muitos. Este que vos escreve é um dos entusiasmados E entusiastas, assim como a galerinha do Hadouken, por exemplo (sim, eu usei essa frase como desculpa para linká-los e saberem da existência deste post 😀 aproveito o momento e já linko o Continue e Rumble Pack).

Uma crítica constante que vejo em blogs e publicações é a de que a Capcom está numa fase de não inovações. Seus jogos se repetem e a aposta em novas franquias não é lá muito alta. Mais fácil investir em fórmulas consagradas, certo? Resultado disso? Inúmeros remakes para Wii de Resident Evil e trocentos Megamans, ano após ano. Tal feito acabou resultando em um certo desgaste da marca e do personagem Megaman, tornando-o um possível candidato a “novo Sonic”, caso devidos cuidados não fossem tomados. Em tempos de mesmíce, onde arrisco dizer que um Gears of War 2 não adicionará lá muita coisa como fez a sua primeira edição, quem arrisca pode acabar colhendo os louros. A Nintendo arriscou com o Wii e prosperou, por exemplo. A Capcom, temendo o declínio de seu personagem azul, resolveu arriscar também.

“Como colocar o nosso personagem em evidência novamente?”, pensaram os executivos da gigante nipônica. Em um súbito devaneio transcendental, algum companheiro de olhos puxados teve a idéia que iria chacoalhar o mercado. “Vamos de Retrô!”, disse. É quase poética a contradição que é Mega Man 9. Ele inova pela não inovação. Ou melhor, inova até pela regressão. Simplicidade sem rodeios. Um lindo paradoxo. Nada de tramas homéricas ou ambientações colossais. Aqui, o que vinga é o primor dos tempos que já foram. Cada inimigo e cada plataforma pensados e concebidos com esmero, coisa que não se vê muito hoje em dia, reflexo da sociedade da imagem, onde detalhes às vezes supérfluos disfarçam o vazio.

E creio que a geração “high definition” sofra do mal dos polígonos. Para eles, tudo que não agrade aos sentidos mais superficiais não agrada, mesmo que não tenham experimentado determinado jogo em questão. Não digo que o nosso amigo Lucas seja um deles, até porque creio que ele tenha um vasto portfolio de games “retrô” jogados. Conhecendo-o digo sem medo que foi um entusiasta dos primeiros Pokémon, daqueles de Gameboy mesmo. No entanto, é visível em lan houses e locadoras (elas ainda existem?) garotos que não tiveram o prazer de se deleitar ao som de sintetizadores modestos e paleta de cores reduzida. Hoje, o que vale é a lei dos personagens de queixo quadrado e cenários monocromáticos, como dizem os gajos do Rumble Pack.

Após desviar o foco do assunto, voltemos ao Patrício. O garoto cisma em relutar contra um dos jogos de maior destaque deste ano. Por isso, para fazê-lo sentir o prazer de morrer ao cair em espinhos e buracos filha-da-putamente bem colocados, lançamos a campanha: Patrício, adote um Mega Man! Invista dez dólares de seu rico salário e sinta o êxtase puro de matar chefes dificílimos apenas com o Buster, enquanto você desvia de seus ataques certeiros e quase sempre mortíferos! Vislumbre os visuais coloridos e vicie-se nas grudentas melodias oito-bits. Você não se tornará um traidor da alta definição. Você não será mal visto no meio jornalístico. Aliás, creio que a não participação nisso possa afetar, visto que esta pode ser uma nova tendência no mercado. Você não colaborará para a extinção de jogos másculos e sanguinolentos em nossos consoles de alta definição. Sempre haverá mercado para todos os tipos de jogos, então eu lhe digo: Deixe o orgulho de lado e aproveite! Patrício, adote um Mega Man!

Participe da campanha e poste em seu blog! Ajude a mudar o mundo!

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