É só entrar em qualquer fórum de games que você com certeza verá um tópico destinado ao jogador “hardcore” versus o “casual”. Ao contrário do que os mais pervertidos possam pensar, o “hardcore” não é o que faz sexo selvagem enquanto percorre os tabuleiros bizarros de Mario Party 8, mas sim aquele que tem o hábito ferrenho de destrinchar cada jogo com ferocidade e obstinação. Já o jogador “casual” é a antítese do supracitado. É aquele que joga de vez em quando devido a outras prioridades em sua vida, muitas vezes optando por games sem muita profundidade em enredo e coisas do gênero. Mas provavelmente, se você está lendo isto, você se encaixa no primeiro perfil, tornando este primeiro parágrafo completamente inútil. Fiz você perder um minuto de sua vida. Sue me.

Eu, como um nintendano assumido – oras, como uma amiga minha me questionou, nintendISTA não seria uma palavra destinada ao profissional da nintendo, tal como dentISTA, jornalISTA, neurologISTA? Pensem nisso -, venho a argumentar com antecedência o título deste post: não, não estou me tornando o dito casual devido às plataformas e jogos da Nintendo. Nem tentem começar flamewars, estimados leitores. Deixem-me explicar. Nas últimas semanas me flagrei perdendo, lentamente, o interesse em jogar. Enquanto antes eu re-jogava Super Mario Galaxy e Metroid Prime 3, ao passo em que iniciava novos jogos como Brawl, Ninja Gaiden e Comix Zone (comprados via Virtual Console), agora eu me vejo raramente manejando o pequeno bastão de plástico da Nintendo. What happened?

Mudei de emprego e passei a me dedicar mais. Não, não pensem que virei um rato trabalhador. Começo após as 10 da manhã e saio exatamente às 18 horas, sem nem questionar se devo ficar mais tempo. Também passei a sair mais. Não foram poucas as vezes que eu, na companhia do companheiro de blog e mais um amigo saíamos de nossas aulas noturnas para tomar um belo pileque até as 2 da manhã. Em belas terças e quintas-feiras, ignorando o fato de ter que trabalhar na manhã seguinte. O fato de eu ter uma prima hospedada em casa e de eu ter saído de um relacionamento também contribuem para isso, a rotina fica balançada e quando vemos, ficamos alguns dias sem jogar.

Mas não pensem que isso significa o início do fim de uma prática quase religiosa para mim. É apenas um período com leves turbulências. Apesar de eu não estar no hype de GTA IV e Metal Gear Solid 4, e de nem estar com vontade de gastar rios de dinheiro em jogos para o Wii (mesmo com meu salário tendo aumentado um bocado), sinto vontade de consumir, mas em menor escala. Existem dezenas de jogos old-school que pretendo adquirir no maravilhoso Virtual Console, o Wii Ware está para ser lançado e tenho muita coisa boa para comprar no Wii. Farei isto, com certeza. Porém, no momento, mal consigo parar para jogar Zack and Wiki – não por falta de tempo, mas por falta de vontade. O jogo é excelente, muito bom mesmo, porém o meu desejo é de jogar coisas descompromissadas e leves.

E nisso o Smash Bros. Brawl funciona perfeitamente. Durante algumas noites eu e minha prima nos sentamos em frente ao televisor e travamos várias batalhas, cada uma mais emocionante que a outra. Independente do resultado, as lutas sempre terminam em risadas e momentos “VAI, PEGA A SMASH BALL!”. Lindo. Divino. Fazia um bom tempo que não sentia esse clima de competição. Desde os 16 bits, pra ser mais exato. Seria isto por causa da qualidade dos jogos em si ou fui eu que comecei a adquirir uma postura mais “single-player”? Corrigindo a minha última frase: Halo 3 também é um ótimo exemplo deste sentimento, tal como Mario Kart 64 e Goldeneye.

Não sei como terminar este texto, já que estou escrevendo sem planejamento algum. Acho que a conclusão é simples: se eu, entusiasta dos jogos eletrônicos, me vejo optando por joguetes descompromissados no momento, imaginem os engravatados na casa dos 30 anos (assim como “engravatadas” de todas as idades, porque não?) chegando em seus lares, exaustos e estressados. Tá aí a resposta para os que se acham mega-hardcores quando indagam sobre o sucesso absurdo do Wii. Fim

Ps: É, Miwi. Seu texto parece ter dado uma injeção de ânimos na galera.
Ps2: Este post não tem imagens de propósito. Faz tanta falta assim?
Ps3: Piadinha sobre a terceira geração do Playstation neste espaço.

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