Nota: Se saiu uma matéria sobre isso na EGM, eu não vi ainda. Logo, não copiei.

mario_aquecimento.jpgVamos confabular, meus caros amiguinhos?
Estamos vivenciando um momento único na história da humanidade. Um desastre de proporções globais é iminente e causará a morte, o desespero e o desabrigo de milhões de pessoas ao redor do nosso planetinha azul e cinza, independente do poder aquisitivo de cada um. Ninguém se salvará a longo prazo. Estudantes universitários de classe média e pseudo-intelectuais engajados discutem e levantam a bandeira da preservação ambiental, mesmo que após isso eles peguem os seus carros do ano, cheguem em casa e se empanturrem do mais delicioso biscoito italiano e da coca-cola nossa de cada dia. E você, gamer, se importa com tudo isso?

“Mas o que os jogos têm a ver com isso, seu verme pútrido?”
Eu, em minhas filosofias de bar, que após duas cervejas, afloram como espinhas no rosto de uma virgem secundarista satisfeita depois de dois baldes de pipoca acompanhados de um pacote de Ruffles Churrasco, matutei sobre o efeito que os jogos (e todos os outros produtos existentes) têm no superaquecimento do nosso habitat cheio de fezes e lixo hospitalar. Vamos embarcar nesta viagem? Bem, muitos de vocês são bem informados e acompanham diversos dados e entre eles, as vendas semanais e mensais de consoles. Vamos ver o total de consoles no Japão só em 2008?

PSP – 729.489
Wii – 756.797
Nintendo DS Lite – 744.883
PlayStation3 – 252.205
PlayStation2 – 115.087
Xbox 360 – 35.161

Fonte: FinalBoss

No total temos 2.636.622 consoles vendidos, se eu tiver feito corretamente a conta na Calculadora For Windows®. E apenas em terras nipônicas, que possuem atualmente números mais modestos se comparado à terrinha do glorioso George Bush. São quase três milhões de caixas contendo pedaços de plástico, metais, chips, borrachas e muito mais. Cada elemento que compõe o seu videogame do coração exige muita matéria prima e muito desenvolvimento para chegar a sua casa. A carcaça linda e brilhante do seu Playstation 3 gastou energia e recursos, tanto materiais quanto intelectuais. O plástico viajou centenas de quilômetros. Designers despenderam horas e mais horas “tecendo” o seu projeto visual, coisa que também necessitou gastos relevantes de energia. O que falar dos chips então? E dos invólucros dispensáveis de caixa que protegem contra o impacto e ranhuras? Apesar de sua superfície encerada e limpinha, o querido PS3 possui uma alma suja e devastadora (no seu pior sentido). O mesmo vale para o Wii e 360, obviamente.

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Ah, os jogos! Dezenas de lançamentos semanais, vários blockbusteres, campanhas de marketing imponentes e muita, mas muita produção. Toneladas de gases poluentes liberados aos céus como pombos soltos em uma passeata pela paz. Quantidades incontáveis de caixas de plástico, milhões de árvores derrubadas para a produção dos manuais – que, convenhamos, apesar de ser muito bacana possuí-los, são dispensáveis… e não me venha dizer que “AH, MAS QUEM NÃO SABE JOGAR, COMO FICA?” porque hoje a internet está aí pra isso – assim como litros incomensuráveis de tinta para a impressão de cada página que não será lida. Também temos os DVDs, que eu prefiro nem saber do que são feitos. Deve ser uma mistura de matéria prima assustadora (alguma alma tem conhecimento sobre isso? juro que não quero abrir a wikipédia agora).

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Hora de comprar o jogo! Nós, brasileiros agraciados pelos altos impostos e leis não muito a favor dos softwres, temos de recorrer quase sempre à compra online. Presenciamos atualmente um possível boom de novas lojas promissoras em território tupiniquim, mas isso nos grandes centros. Para o resto, a internet ainda é o recurso principal. Nem preciso comentar os gastos com transporte, certo? O jogo não se materializa na nossa frente, ele precisa ser deslocado e para isso é preciso muito combustível. Também tem a caixinha dos correios. E mais um monte de detalhes que desconheço e/ou não lembro.

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Eu sei que isso parece óbvio, mas MUITA gente não pensa nisso ou não tem tal percepção. Vivemos em uma época em que a produção em massa é dominante e isso tem uma influência muito grande no ambiente em que vivemos. Não pense que sou um eco-chato, hipócrita ou coisa do gênero, afinal eu faço parte desse público consumidor. Todo mês compro jogos novos e contribuo para a lenta morte do planetinha querido. É um problema que ainda não se tornou visível a ponto de reagirmos e pararmos de consumir.
O exemplo dos games foi apenas um exemplo (…), já que praticamente tudo que chega às nossas mãos passa por um processo semelhante de produção e despendimento de energia, desde a bolacha Bono que você come enquanto assiste a reprise das Meninas Super Poderosas às três da manhã até o xerox da faculdade jogado no fundo de sua mochila. O que podemos fazer pra mudar isso? Mudaremos? Se for preciso preservar um bem maior, você deixaria o seu hobby de lado? Pararia de gastar energia para entrar neste blog e em vários outros? Boicotaria as revistas impressas? Tiraria o Wii da tomada e reduziria o consumo de deu XBOX? Ou “danem-se os meus netos, vou jogar Halo 3”?

Eu até me estendiria aqui, mas o chefe acabou de chegar e tive de apressar a conclusão do texto ;/

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