mario-golf.jpgDezembro passou e provavelmente todas as pessoas do mundo já jogaram Super Mario Galaxy, inclusive eu. Demorei, mas joguei. O que achei? Bem, vamos lá!

Pra quem não me conhece, sou uma pessoa completamente avessa a spoilers. Spoiler, meu caro amiguinho, é quando você fica sabendo de algo antes da hora. Por exemplo: digamos que o Master Chief morra com uma faca no olho no final de Halo 3. Legal, né? Não se alguém te conta antes que você possa conferir pessoalmente. Puf, lá se foi toda a graça e emoção do acontecimento. Bom, mas o que o Mario tem a ver com isso? Como eu fiquei na espera pelo jogo durante mais de um mês após o lançamento, tive de assistir a alguns vídeos para saciar a minha necessidade. Mas a minha cura foi também o meu veneno, já que quando coloquei as mãos na belezura havia presenciado alguns dos cenários e acontecimentos do jogo. Ou seja, boa parte do “MEU DEUS, OLHA QUE DOIDERA! PLANETÓIDES ESFÉRICOS! EU CONTROLO ELE DE CABEÇA PRA BAIXO! AHHH!” foi embora. Portanto, camagada, se você pretende jogar e não viu os vídeos ainda, continue assim.

Mas o jogo é uma doidera sim, independente dos spoilers. Em vários momentos me bateu aquela emoção típica dos jogos do Mario. Escapulir de inimigos no último momento, desviar de uma bola de fogo ou tiro de canhão com apenas um tico de energia e dar saltos com precisão milimétrica é simplesmente delicioso. Algo que pouquíssimos jogos conseguem entregar. O gigante problema – pra mim – é que tem várias fases ridículas de fáceis e isso tira bastante o brilho. Claro, quanto mais você avança, maior é a dificuldade e existem níveis em que você perderá várias vidas e até um pouco de paciência.

Assim como a dificuldade, os gráficos estão divididos: existem as partes lindas e as partes horrivelmente horrendas. De um lado temos planetóides bem construídos, com efeitos de luz, reflexos, sombras e tudo o mais. Gelo? Lindo. Lava? Linda. Água? Linda. Super Mario Galaxy é um tapa na cara de um monte de produtoras (ouviu, Ubisoft? No próximo Raving Rabbids tome vergonha na cara e faça algo DECENTE!) e também uma aula de como se trabalhar no Wii. Porém, apesar da beleza óbvia do jogo, em alguns momentos eu achei ele feio. Por exemplo, na fase da mansão mal-assombrada eu quis desligar o Wii, tamanha a minha frustração. Pensei: Cacildes! Por acaso estou jogando Sypro the Dragon 2? Sem falar nos zilhões de serrilhados que te acompanham durante toda a aventura. Broxante. Em tempo: joguei sem cabo componente. Com ele, vi que a imagem fica realmente mais definida.

serrilhado-galaxy.jpg

………………………………….Super Serrilhado Galaxy

Mini-parágrafo: as utilizações variadas do Wii Remote são muito boas. Me diverti a beça nas fases “da bolinha”. Simplicidade e criatividade que funcionam juntas. Tudo isso sem ficar balançando o controle aleatoriamente e feito um louco.

Mas o ponto que eu queria chegar: a facilidade do jogo. Eu sei, já mencionei isso antes, mas quero fazer um contra-ponto. Como todos sabemos (menos os istas, parece que até hoje eles não entenderam isso), desde o início a Nintendo deixou bem claro que focaria nos nunca jogaram ou que jogam muito pouco. Pode ser um pouco difícil de nós compreendermos de cara, mas as pessoas realmente acham difícil jogar videogame. Nós estamos acostumados. Crescemos jogando centenas de jogos, gastamos dinheiramas em lançamentos e periféricos, temos experiência. Mas a minha mãe não. Nem a minha namorada. Nem o Baixinho da Kaiser. Para eles, muitas vezes é difícil até passar dos menus. Não estou brincando. Mas a Nintendo está de parabéns por ter conseguido entender essa dificuldade e de ter feito este feito (…) de conquistar milhões de novos jogadores. Seguindo a filosofia do Wii, Super Mario Galaxy foi feito em parte para o povo que não sabe jogar. Por isso que ele é tão fácil para nós, ditos jogadores hardcore.

Ao ver os vídeos de divulgação, achei meio boba a idéia de um segundo jogador auxiliar na captura dos star-bits – estrelinhas espalhadas pelos cenários que servem como passaporte para algumas novas áreas – porém me surpreendi depois de um tempo. Lá estava eu jogando quando de repente algo raro aconteceu: a minha mãe sentou no sofá e começou a olhar. Normalmente quando estou jogando, estou sozinho. Ocupo a sala e ninguém mais aparece. Porém, talvez por ser “o joguinho novo do Mario pro Wii”, ela sentou. Ela conhece o Mario (sem piadinhas, seu malacabado!), óbvio, quem não conhece? Logo gerou o interesse. Pensei com agilidade e com muita sapiência, perguntei: “Mãe, quer jogar? É só apontar e pegar as estrelinhas.” “Não precisa apertar nada?” – ela perguntou. “Não, é só apontar.”

mario-abelha.jpgLá estavamos nós, jogando Super Mario juntos. “Nossa, como a imagem desse jogo é boa” e “Acho que o Mario é meio gay, hein?” foram alguns dos comentários. O papo sobre ele ser gay surgiu quando ele se transformou em abelhinha, só pra constar. E ela pareceu realmente gostar de pegar os star bits. Mais à noite, foi a vez da minha namorada balançar o Wiimote (o Wiimote, tarados!). Mesma coisa. Seria difícil alguma delas continuar a jogar, pois o que rolou ali foi só o interesse inicial no jogo. Depois de um tempo obviamente esqueceriam. Mas, no outro dia, a minha mãe senta ao meu lado novamente e automaticamente pega o controle número dois. E fica coletando star bits – sem que eu tenha pedido. Lindo.

Alguns dias depois, lá estava a minha mãe jogando sozinha. Sim, com nunchuck e tudo. Obviamente que ela se peidou inteira, mas aos poucos ela vai pegando a manha. Foi ao vê-la tentando controlar o Mario que eu percebi que a baixa dificuldade do jogo teve um propósito. Não-jogadores acham dificílimo o que achamos fácil. Com certeza pegar as primeiras 60 estrelas vai ser um desafio para a minha mãe, caso ela continue a aventura. Se um mero jogo 3D já é complicado para os newbies, imaginem um jogo que pega o 3D como conhecemos e o vira do avesso sete vezes em menos de um minuto?

Próxima missão? Jogar MySims com a namorada 🙂

UPDATE: Minha mãe acaba de me telefonar para saber como ligar o Wii e jogar Super Mario Galaxy. How cool is that?

Anúncios