Antes de mais nada, gostaria de dizer que estou bebado e sem acentos.
Cheguei em casa agora, dez para cinco da manha e me deparei com uma noticia no Wii Brasil acompanhada de um comentario que gostaria de compartilhar com voces. Ela se trata sobre o jogo Endless Ocean para Wii, onde voce controla um mergulhador e explora o fundo do mar interagindo com seres aquaticos, porem tudo isso se da sem um desafio evidente. Voce esta la para relaxar, passar o tempo e vislumbrar o oceano (ate onde eu sei). Um jogo com um publico claramente definido: os casuais (ou tambem pessoas cansadas de tiroteios e assassinatos virtuais, que procuram um “aliviador” para os momentos pos-expediente). O jogo tirou 8 nos sites IGN e 1UP (clique para ler os reviews).
“EGM americana se recusa a analisar Endless Ocean
Em sua última edição, a revista norte-americana EGM publicou uma suposta “análise” do jogo de Wii Endless Ocean, alegando que tal título “não é de fato um jogo, e não merece ser analisado como um”. Tal medida foi tomada por fãs como “uma ação para chamar a atenção” – fãs estes que argumentaram que jogos do gênero casual como Brain Age e Flash Focus não só foram analisados pela publicação, como receberam notas altas.
Na matéria, o jogo foi criticado por “não oferecer perigo, conflito, inimigos, uma história, obstáculos, uma barra de energia, ou até mesmo chefes”, elementos chamados por eles de “coisas de jogos”.”
Exemplo típico da caduquice do atual sistema de análises vigente pelos grandes grupos de mídia.
Está na hora de evoluir a linguagem e conseqüentemente o patamar deste setor do entretenimento de massa. Considerar obras interativas que possuem um potencial imenso, como apenas jogos, é uma visão retrógrada, limitante e estagnante. Felizmente existe a Nintendo neste mercado para revolucionar e subverter a lógica das coisas que tendem a se acomodar num sistema em que o lucro sobrepõe-se ao valor artístico. Não é à toa que estas revistas estão em declínio, o mesmo acontecendo com setores da produção que insistem em manter a velha fórmula: “mate o inimigo, ganhe pontos, passe de fase, derrote mais outros adversários, desvie de obstáculos, mantenha o ‘life’ cheio e pra variar, mate mais um pouco”. Este esquema foi útil nos primórdios da linguagem interativa, mas hoje, quando a indústria se torna a vedete do entretenimento, se mostra desestimulante. Vemos toda hora, bolhas econômicas surgindo, graças à usurpação sem trégua de determinado recurso, sem que haja uma renovação. Era isto que estava acontecendo com o mercado de “games” até a Nintendo “por questão de capacidade e também de sobrevivência” se ver obrigada a mudar um pouco as coisas. Uma mídia tão fantástica que converge as grandes formas de expressão artística como cinema, literatura e música, acrescentando ainda a não menos fascinante interatividade, ficar restrita à plataformas que conseguem vender apenas pouco mais 100 milhões de unidades quando obtêem sucesso, enquanto canais de televisão, discos, livros e filmes conseguem atingir o mercado de massas com muito mais facilidade em um mundo com mais de 6 bilhões de pessoas; é um contra-senso. Ainda há muito por evoluir e agregar em público, mas para isto é preciso deixar preconceitos arraigados de lado e explorar muito mais a linguagem interativa que possibilita aprofundar experiências emocionais como nenhum outro meio consegue, pois assegura vivenciar fatos e sentir as conseqüências de determinada ação. Gerando assim uma reflexão que só obras artísticas propiciam, para aí sim, como toda arte, se tornar uma forma de elevação humana, e, o melhor, com diversão. Este, na minha ignorada opinião, é o caminho e o desafio da indústria, se quiser galgar a posição que merece e o respeito da maioria do público.”

10 comments
Comments feed for this article
Janeiro 27, 2008 às 5:45 pm
mariane
Acho que eles quiseram só fazer uma polêmicazinha mesmo
Janeiro 27, 2008 às 6:17 pm
Lucas
Olha, endless ocean é um jogo, ou no mínimo um meio de entretenimento interativo similar a um jogo, mas ninguém é obrigado a publicar algo sobre alguma coisa, e se publicar nínguem é obrigado a ler ou concordar, quantas vezes escreves textos que pessoas nao concordam? ainda mais quando se trata de jogos, assunto que muita gente leva para o lado pessoal.
Mas a egm cagou tudo ao dizer que jogos precisam de alguns elementos que hoje em dia nao sao mais usados…azar deles.
Janeiro 27, 2008 às 7:11 pm
Youta
A vantagem é que essa polêmica criada só vai aumentar as vendas do jogo.
Pra mim é birra deles, pois um “jogo” assim é uma tentativa de inovação, além do mais já foram feitos outros jogos no estilo “Faça o que quiser aí” como Flow (que possui um certo desafio, mas também é bastante livre, outro que creio eu, se chama Flower ou algo assim…São jogos experimentais que interessam muita gente. Nada impede de criar uma comunidade dos próprios jogadores e que eles possam trocar desafios.
“Encontrei tal coisa no fundo do mar, quero ver quem encontra primeiro”
Sem contar na possibilidade de interação online entre eles futuramente.
Bater um papo enquanto explora o fundo do mar pode ser divertido pra quem não quer fazer muita coisa.
Janeiro 28, 2008 às 12:14 am
Thiago Branco
olha cara… nesse domingo a noite (um dia de ressaca, pois fui a uma formatura ontem também) não to muito afim de escrever. me disponho a conversar sobre isso contigo quando tu largar mão de ser “mãozinha” (redundância?) e me pagar uma cerveja no buteco (haeuhaeuhaeah).
mas o fato, a princípio, é que a EGM não tem um “papel social” propriamente dito. e nem a obrigação de ser imparcial. eles publicam o que querem, e quem quiser a revista mesmo assim, que compre. na real, não sei se devo criticar negativamente a EGM pela posição dela de não avaliar o jogo, ou se bato palmas por ter remado contra a maré da mídia especializada e ter caído de pau em cima de um jogo simplesmente porque eles quiseram, ou foram autênticos.
sei lá, discutimos mais depois de duas geladas… hehehe.
Janeiro 28, 2008 às 1:05 am
Daniel
Pois então que publiquem a definição deles de “jogo”, e parem de palhaçada. Daí dá pra saber o que esperar da revista.
A empresa que fez o jogo deve ter pago pelo review, mas daí os caras sacanearam
Janeiro 28, 2008 às 10:38 am
Sardo
Acho que foi vacilo.
Quer dizer, tu abre a parte de review, pra ler uma avaliação.
E se não é considerado um jogo, porque tá lá?
Janeiro 28, 2008 às 4:48 pm
Doc Nice
Por definição, NÃO é um jogo. Mas não é motivo para não ser avaliado como “simulação interativa”.
Fica claro que a EGM não possui critérios para avaliar esse tipo de produto.
Janeiro 29, 2008 às 1:15 am
Wagner - The Old_revenanT
Nossa, agora fiquei curioso para saber como é esse jogo, ops, ou seria não-jogo?!
Janeiro 31, 2008 às 2:21 am
CubaGames » O que define um “jogo” na verdade?
[...] queria fazer um review de um jogo porque disse que este não tinha “coisas de jogo”. Li no Assopre a Fita. Categorias: Desenvolvimento, CubaGames | [...]
Maio 27, 2008 às 9:02 pm
Afrika: “hoje à noite, aqui no PS3, quem dorme é o leão” - Continue »
[...] Até hoje não sabemos do que Afrika se trata exatamente. É um safari? Vamos caçar animais em extinção? É uma evolução do conceito de Pokémon Snap? Vamos fugir de leões famintos? Ou seremos nós mesmos os leões famintos? Será um “simulador de selva”? Ou um passeio platônico como Endless Ocean do Nintendo Wii? [...]